terça-feira, 13 de março de 2012


Remir - Redimir, resgatar, readquirir. Libertar do cativeiro, do poder do inimigo. “Teologia” Salvar, livrar das penas do inferno. Expiar: remir os seus pecados. Libertar uma propriedade de um ônus pelo pagamento deste: remir um foro. Ação ou efeito de remitir, de perdoar. Ação ou efeito de remir, de alcançar perdão, de perdoar; quitação: alcançar com penitências a remissão.
Sabemos que ao logo dos tempos surgiram muitas religiões e suas modalidades litúrgicas, com o intuito de resgatar aqueles que julgavam perdidos... Perdidos por quê? Jesus disse: “Todo aquele que vem a mim eu jamais o lançarei fora”. Não me refiro a fato isolado, mas sim a evidência do chamado de Cristo e por Cristo. Doutra feita, a palavra Remissão – é o perdão da dívida realizado pelo credor e aceita pelo devedor, ou seja, este deve consentir. Jesus morreu na cruz...  Estamos mortos com Ele no mesmo propósito da remissão, Rm. 6:3. Ele já rasgou a promissória de Lei do pecado liberando a libertação. Em João 8:36 - O escritor anuncia o seguinte:” Todo aquele que o filho libertar verdadeiramente será livre.”  Enquanto você não tomar posse das riquezas do testamento repartido à todos e crer nas promessas da remissão. A remissão é alerta que os atalaias anuncia a você nesses últimos instantes que tens para achegar-se ao remidor? Ele Tem uma mesa perante os teus inimigos, Ele tem um anel para o teu dedo, Ele Tem uma corôa para usares como principe, Ele tem a vida Eterna para você passar.
Se ouvirmos a voz do Senhor não endureçamos os nossos corações... O Novo Testamento afirma que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Pedro acrescentou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12).  

Antes de Jesus, houve pecado e condenação. Todos pecaram (Romanos 3:23) e mereceram a morte espiritual (Romanos 6:23). Paulo diz que a lei do Antigo Testamento mostrou o problema (Romanos 3:20; Gálatas 3:22), e que a fé em Jesus Cristo é a solução (Gálatas 3:23-27; Romanos 3:24-26). Nesta última citação, ele comenta sobre a necessidade do sangue de Jesus para fazer propiciação pelos nossos pecados.

João Batista, alguns anos antes do derramamento do sangue de Jesus, pregou “batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Marcos 1:4).
Se já existiam meios para perdoar pecados, por que Jesus se sacrificou na cruz? O livro de Hebreus esclarece esta questão. Ele nos mostra que:
Os sacrifícios anteriores não foram suficientes para perdoar pecados: “Nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb. 10:3-4).
Os pecados cometidos no Antigo Testamento foram perdoados pela morte de Jesus: “Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados” (9:15).
Para ilustrar o significado destes trechos, podemos ilustrar a prática comum de pagar dívidas com cheques pré-datados. Os sacrifícios e o batismo de João foram como cheques pré-datados assinados com a confiança que o sangue de Jesus seria “depositado na conta” na data certa. Foram condicionados no sacrifício futuro de Jesus.
Hoje, é diferente. Quando demonstramos a fé pelo arrependimento e o batismo para remissão dos pecados (Atos 2:38), confiamos no depósito que já foi feito no Calvário, e recebemos o perdão dos nossos pecados.
Assim podemos crer com o único ponto de orgulho permitido por Cristo,  ter nossos nomes escritos no livro da vida. 

Atalaia

sábado, 3 de março de 2012

AS  ESCRITURAS  E  O  PECADO

Há seriíssimas razões para crermos que grande parte da leitura e do estudo bíblicos, nestes últimos poucos anos, não tem sido de grande proveito para aqueles que disso se tem ocupado. E vamos mais longe; pois tememos grandemente que, em muitos casos, isso tem sido antes uma maldição do que uma bênção. Estamos perfeitamente cônscios de que esta é uma linguagem dura, mas não mais forte do que o caso exige. Os dons divinos podem ser sujeitados a uso errôneo, e as misericórdias divinas podem ser alvo de abusos. Que assim tem sido, naquilo que aqui salientamos, é evidente através dos frutos produzidos.

Até mesmo o homem natural pode (e com freqüência o faz) atirar-se ao estudo das Escrituras com o mesmo entusiasmo e prazer que faria se estudasse as ciências. Quando assim faz, aumenta o seu cabedal de conhecimentos, mas também aumenta o seu orgulho. Tal como o químico atarefado em fazer experiências interessantes, o pesquisador intelectual da Palavra é invadido de satisfação ao fazer ali alguma descoberta; mas a alegria deste último não é mais espiritual do que a alegria daquele primeiro.
Outrossim, tal como os sucessos de um químico geralmente acentuam o seu senso de importância própria, levando-o a olhar com desdém para outros, que sejam mais ignorantes que ele mesmo, assim também, desafortunadamente, dá-se no caso daqueles que investigam a numerologia, a tipologia, a profecia bíblica e outros temas dessa natureza.
O estudo da Palavra de Deus pode ser levado a efeito com base em vários motivos. Alguns lêem-na a fim de satisfazerem seu orgulho literário. Em certos círculos tornou-se algo respeitável e popular a obtenção de um conhecimento geral do conteúdo da Bíblia, simplesmente por ser considerado como defeito de educação a ignorância dela. Outros lêem a Bíblia para satisfazer seu senso de curiosidade, como o fariam com qualquer outro livro famoso. Ainda outros lêem-na para satisfazer seu orgulho sectarista. Esses consideram um dever estar bem familiarizados com as crenças particulares de sua própria denominação, pelo que também buscam ansiosamente textos de prova que dão apoio ao que eles chamam de ''nossas doutrinas''. Ainda há aqueles que lêem a Bíblia com a finalidade de argumentar com êxito com aqueles que discordam de suas opiniões. Em toda essa atividade, entretanto, não há qualquer pensamento acerca de Deus, não há qualquer anelo pela edificação espiritual, e, portanto, não há qualquer beneficio real para a alma.
Assim sendo, de que maneira nos podemos beneficiar da Bíblia? A passagem de II Timóteo 3:16,17 não nos fornece clara resposta para essa pergunta? Lemos ali: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Observemos o que aqui é omitido: as Sagradas Escrituras não nos foram dadas a fim de satisfazer nossa curiosidade intelectual e nem nossas especulações carnais, e sim  para habilitar-nos para toda boa obra, e isso mediante o ensino, a reprovação e a correção. Envidaremos esforços por ampliar isso com a ajuda de outros trechos bíblicos.

1. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o convence de pecado.
Este é o seu primeiro préstimo: revelar a nossa depravação, desmascarar a nossa vileza, tornar conhecida a nossa iniquidade. A vida moral de um homem pode ser irrepreensível, seu trato com os seus semelhantes pode ser sem faltas; mas quando o Espírito Santo aplica a Palavra ao seu coração e à sua consciência, abrindo os seus olhos fechados pelo pecado para que perceba a sua relação e a sua atitude para com Deus, então ele exclama: "Ai de mim! Estou perdido!" (Isaías 6:5). É desse modo que toda a alma verdadeiramente salva é levada a perceber a necessidade que tem de Cristo. "Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes" (Lucas 5:31). Contudo, somente quando o Espírito aplica a Palavra, com poder divino, é que qualquer indivíduo é levado a sentir-se enfermo, enfermo até à morte.
Essa convicção, que impressiona o coração com o fato de que o pecado produziu tremenda devastação na constituição humana, não se restringe à experiência inicial, que precede de imediato à conversão. De cada vez que Deus bendiz a sua Palavra em meu coração, sou levado a sentir quão longe ando do padrão que Ele me apresenta, a saber: "...tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento" (I Pedro 1:15). Aqui, por conseguinte, temos o primeiro teste a ser aplicado: quando leio acerca dos tristes fracassos de diferentes personagens das Escrituras, isso me faz perceber quão infelizmente parecido com eles eu sou? E quando leio sabre a vida bem-aventurada e perfeita como a de Cristo, isso me faz reconhecer quão terrivelmente diferente sou eu dEle?

2. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o faz entristecer-se por causa do pecado.
Com respeito ao ouvinte do solo rochoso foi dito que "...esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração..." (Mateus 13:20, 21). Porém, acerca daqueles que foram convencidos de pecado, sob a pregação de Pedro, está registrado que eles se sentiram compungidos em seus corações (ver Atos 2:37). O mesmo contraste se verifica hoje. Muitos ouvem um sermão floreado ou um discurso sobre a ''verdade dispensacional'', que exibe a capacidade de oratória ou mostra a habilidade intelectual do orador, mas que, usualmente, não contém qualquer aplicação à consciência. Aquela exposição é recebida com aprovação, mas ninguém é humilhado diante de Deus e nem é levado a andar mais perto dEle, por ela.
Porém, deixe-se que um servo fiel do Senhor (o qual pela graça divina não busca adquirir reputação por ''brilhantismo'') faça os ensinamentos bíblicos exercerem pressão sabre o caráter e a conduta, desvendando os tristes fracassos até mesmo dos melhores entre o povo de Deus, e embora a multidão despreze o mensageiro, as pessoas realmente regeneradas sentir-se-ão gratas pela mensagem que as leva a se lamentarem diante de Deus e a clamarem: "Desventurado homem que sou!" (Romanos 7:24). Assim acontece quando lemos pessoalmente a Palavra. E assim sucede quando o Espírito Santo a aplica de tal maneira que sou levado a ver e a sentir minha corrupção íntima, para que eu seja verdadeiramente abençoado.
Que palavra encontramos no trecho de Jeremias 31:19: "Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade!"
Meu prezado amigo, você conhece algo parecido com essa experiência? Os seus estudos da Palavra de Deus produzem um coração quebrantado e o levam a humilhar-se perante Deus? Fica você convicto de seus pecados, de tal modo que é levado a arrepender-se diariamente perante ele? O cordeiro pascal tinha de ser comido com ''ervas amargas'' (Êxodo 12:8). Por semelhante modo, quando realmente nos alimentamos da Palavra, o Espírito Santo a torna "amarga" para nós, antes de tornar-se doce ao nosso paladar. Notemos a ordem das coisas, no trecho de Apocalipse 10.9: "Fui pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele então me fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo ao teu estômago, mas na tua boca, doce coma mel". Essa será sempre a ordem da experiência: primeiramente deve vir a lamentação, e somente depois vem o consolo (Mateus 5:4); primeiro a humilhação, e depois a exaltação (I Pedro 5 :6).

3. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o conduz à confissão de pecado.
As Escrituras são proveitosas para a "repreensão" (II Timóteo 3:16); e a alma honesta está pronta a reconhecer as suas próprias faltas. Mas acerca do indivíduo carnal é declarado: "Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se  chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (João 3:20). "Deus tenha misericórdia de mim, um pecador", é o clamor dos corações renovados; e cada vez que somos revivificados pela Palavra (Salmo 119), recebemos nova revelação e renovada convicção de nossas transgressões aos olhos de Deus. "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Não pode haver prosperidade nem frutificação espirituais (Salmos 1:3), enquanto ocultarmos em nosso seio as nossas culpas secretas; somente quando são livremente reconhecidas perante Deus, e isso com detalhes, é que desfrutaremos de Sua misericórdia.
Não há paz real para a consciência e nem descanso para o coração, enquanto sepultarmos a carga do pecado não confessado. O alívio só nos é outorgado se confessarmos o pecado a Deus. Notemos bem a experiência de Davi: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos, pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio." (Salmos 32:3,4).
Essa linguagem figurada mas vigorosa lhe parece ininteligível? ou a sua própria história espiritual a explica? Há muitos versículos nas Escrituras que nenhum comentário pode interpretar satisfatoriamente, mas que a experiência pessoal pode fazê-lo. Verdadeiramente bem-aventuradas são as palavras seguintes: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado." (Salmos 32:5)

4. O indivíduo se beneficia da Palavra, espiritualmente falando, quando ele odeia o pecado com maior profundidade.
"Vós, que amais o SENHOR, detestai o mal: ele guarda as almas dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios" (Salmos 97:10). "Não podemos amar a Deus sem odiar aquilo que Ele odeia. Não somente devemos evitar o mal, recusando-nos a continuar nele, mas também devemos declarar guerra contra ele, voltando-nos contra ele com indignação no íntimo" (C.H. Spurgeon).
Um dos testes mais seguros que se pode aplicar à professada conversão é a atitude do coração para com o pecado. Sempre que o princípio de santidade houver sido implantado, necessariamente haverá repulsa por tudo quanto é profano. E se nosso repúdio ao mal for genuíno, então seremos gratos quando a Palavra reprovar até mesmo o mal de que nem suspeitávamos.
Essa foi também a experiência de Davi: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; par isso detesto todo caminho de falsidade" (Salmos 119:104). Observemos atentamente que não devemos meramente "abster-nos do pecado", pois "detesto"; e não somente a "alguns" ou "muitos" pecados, mas antes, a "todo caminho de falsidade", e não apenas a "todo mal" mas a "todo caminho de falsidade". E continua o salmista: "Por isso tenho por em tudo retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade" (Salmos 119:128).
No entanto, dá-se exatamente o contrário no caso do ímpio: "De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? " (Salmos 50:16,17).
E em Provérbios 8:13, lemos: "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho, e a boca perversa, eu os aborreço". Ora, esse temor piedoso nos vem através da leitura da Palavra (ver a passagem de Deuteronômio 17:18,19). Com razão, pois, é que alguém declarou: "Enquanto não odiarmos ao pecado, não poderemos mortificá-lo, ninguém clamará contra o pecado, como os judeus clamaram contra o Cristo: ''Crucifica-O! Crucifica-O!'', enquanto realmente não abominar o pecado como Ele foi abominado" (Edward Reyner, 1635).

5. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a abandonar o pecado.
"Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (II Timóteo 2:19). Quanto mais lemos a Palavra com o objetivo definido de descobrir o que é agradável e o que é desagradável ao Senhor, mais a Sua vontade tornar-se-á conhecida por nós; e se os nossos corações forem corretos diante dEle, mais ainda os nossos caminhos se harmonizarão com a Sua vontade. Então é que andaremos "na verdade" (II João 4).
No fim do sexto capítulo da segunda epístola aos Coríntios algumas promessas preciosas são dadas àqueles que se separarem dos incrédulos. Observemos, naquela passagem, a aplicação feita pelo Espírito Santo. Não diz o Senhor "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, consolemo-nos e nos entreguemos à complacência...", e, sim: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito..." (II Coríntios 7:1).
"Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João I5:3). Eis aqui uma outra importante regra, par meio da qual nos deveríamos testar com freqüência: a leitura e o estudo da Palavra de Deus está produzindo a purgação de minha conduta? Desde os dias antigos vinha sendo feita a indagação: "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?" E a resposta do salmista inspirado declara: ''Observando-o segundo a Tua Palavra" (Salmo119:9).
Sim, não basta ler a Palavra, crer nela ou memorizá-la; mas é preciso haver a aplicação pessoal da Palavra ao nosso "caminho". É quando "damos ouvidos" a exortações como aquelas que estipulam: "Fugi da impureza!" (I Coríntios 6:18), "Fugi da idolatria" (I Coríntios 10:14),  "... foge destas cousas..." – da cobiça apaixonada pelo dinheiro (1 Tim. 6:11) e "Foge, outrossim, das paixões da mocidade" (II Tim. 2:22), é que o crente é levado a separar-se do mal, na prática; pois então o pecado não somente tem sido confessado, mas também tem sido "deixado" (ver Provérbios 28:13).


6. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o fortalece contra o pecado.
As Sagradas Escrituras nos foram dadas não somente com o propósito de revelar-nos a nossa pecaminosidade inata, ou a fim de mostrar as muitas e muitas maneiras mediante as quais carecemos "da glória de Deus" (Romanos 3:23), mas igualmente para ensinar-nos como podemos obter livramento do pecado, como podemos ser livres de desagradar a Deus. "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmos 119:11). E de cada um de nós é requerido o seguinte: "Aceita, pego-te, a instrução que profere, e põe as suas palavras no teu coração" (Jó 22:22).
O de que precisamos é, particularmente, dos mandamentos, das advertências, das exortações da Bíblia, para que sejam como que nosso tesouro particular; devemos memorizá-los, meditar sobre os mesmos, orar a seu respeito e pô-los em prática. Eis a única maneira eficaz de se evitar que um terreno qualquer seja invadido por ervas daninhas: é semear ali a boa semente: "...vence o mal com o bem" (Romanos 12:21). Por conseguinte, quanto mais "ricamente" estiver habitando em nós a Palavra de Cristo (ver Colossenses 3:16), menos espaço haverá para o exercício do pecado, em nossos corações e em nossas vidas.

Não é suficiente apenas assentirmos à veracidade das Escrituras, mas é necessário que elas sejam recebidas em nossos afetos. É uma verdade soleníssima aquela em que o Espírito Santo especifica a base da apostasia, "...porque ao amor da verdade eles não receberam" (II Tessalonicenses 2:10, grego).
"Se essa semente ficar apenas na língua ou na mente, para que seja apenas uma questão de palavras ou de especulação, não demorará muito para que desapareça. A semente que jaz à superfície será apanhada pelas aves do céu. Portanto, que cada qual a esconda no profundo do ser; que vá dos ouvidos para a mente, da mente para o coração; e que ela penetre cada vez mais profundamente. Somente ao exercer ela um domínio soberano sobre o coração,  é que a receberemos na força de seu amor – quando ela é mais cara para nós que nossas concupiscências mais queridas, então nos apegamos a ela". (Thomas Manton).
Não há qualquer outra coisa que nos preserve das infecções deste mundo, que nos livre das tentações de Satanás, que se mostre preservativo tão eficaz contra o pecado, como a Palavra de Deus recebida em nossos afetos: "No coração tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão" (Salmos 37:31). Enquanto a verdade mostrar-se ativa em nosso íntimo, despertando-nos a consciência e sendo realmente amada par nós, seremos preservados da queda. Quando José foi tentado pela esposa de Potifar, respondeu ele: "... como, pois, cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39:9). A Palavra de Deus se achava em seu coração, pelo que também prevaleceu sobre os seus desejos. Essa é a inefável santidade, o grandioso poder de Deus, o qual é poderoso tanto para salvar como para destruir.
Nenhum de nós sabemos em que ocasião será sujeito às tentações; portanto, é mister estarmos preparados contra elas. "Quem há entre vós que ouça isto? que atenda e ouça o que há de ser depois?" (Isaías 42:23). Sim, compete-nos antecipar o futuro e nos fortalecermos intimamente para ele, entesourando a Palavra em nossos corações, para as emergências futuras.

7. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a praticar o contrário do pecado.
"... o pecado é a transgressão da lei" (I João 3 :4). Deus diz: "Farás...'', mas o pecado retruca: "Não quero". Deus diz: "Não farás...", e o pecado diz: "Farei". Assim, pois, o pecado é a rebeldia contra Deus, é a determinação do indivíduo seguir o seu próprio caminho (ver Isa. 53:6).
Isso capacita-nos a entender que o pecado é uma espécie de anarquia no campo espiritual, o que pode ser comparado com o ato de sacudir uma bandeira vermelha no rosto de Deus. Ora, a atitude oposta ao pecado contra Deus é a submissão a Ele, da mesma maneira que o contrário da iniqüidade é a sujeição à lei. Portanto, praticar o contrário do pecado é andar na vereda da obediência.
Esta é uma das outras grandes razões pelas quais as Escrituras nos foram dadas: tornar conhecida a senda pela qual devemos andar, o que agrada a Deus. As Escrituras são proveitosas não somente para repreensão e correção, mas também para a "instrução na justiça".
Neste ponto, pois, encontramos outra importante regra mediante a qual devemos testar freqüentemente a nós mesmos: Os meus pensamentos estão sendo formados, o meu coração está sendo controlado e a minha conduta e as minhas obras estão sendo regulamentadas pela Palavra de Deus? Eis o que o Senhor exige: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). E aqui temos a declaração de como devem ser expressos a nossa gratidão e os nossos afetos por Cristo: "Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos" (João 14:15). Para tanto, é necessário a ajuda divina. Davi orava: "Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo" (Salmos I19:35).
"Precisamos não somente de luz para reconhecermos o nosso caminho, mas também de um coração bem disposto para andar por esse caminho. A orientação é necessária por causa da cegueira das nossas mentes; e os impulsos eficazes da graça são necessários par causa da fraqueza dos nossos corações. Não cumpriremos o nosso dever mediante a mera noção das verdades, a menos que as abracemos e as sigamos". (Manton). Notemos que o salmista falava sabre a "... vereda dos Teus mandamentos..." Não aludia ele a algum caminho pessoal, auto-escolhido, e, sim, a um caminho bem demarcado; não se trata de uma estrada "pública", mas de uma vereda ''particular''.
Que tanto o escritor como o leitor se aquilatem, honesta e diligentemente, como na presença de Deus, pelas sete coisas acima enumeradas. O estudo da Bíblia, prezado amigo, o tem tornado uma pessoa mais humilde, ou mais orgulhosa – orgulhosa com o conhecimento que assim adquiriu? Esse estudo o elevou na estima de seus semelhantes, ou o rebaixou a um lugar inferior, na presença de Deus? Tem isso produzido, em sua experiência, uma atitude de mais profunda repulsa e asco par si mesmo, ou tornou-o mais complacente? Isso tem feito com que aqueles que entram em contato consigo, aos quais talvez você ensine, digam: "Gostaria de ter o seu conhecimento sobre a Bíblia!"; ou isso os tem levado a orar: "Senhor, dá-me a fé, a graça e a santidade que tens conferido a meu amigo ou professor?'' "Medita estas cousas, e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto" (1 Timóteo 4:15).


AS  ESCRITURAS  E  A  OBEDIÊNCIA


Todos os crentes professos estão acordes, pelo menos quanto à teoria em que é dever obrigatório daqueles que trazem o nome de Cristo honrá-Lo e glorificá-Lo neste mundo. Todavia, acerca de como isso deve ser feito, acerca do que Deus exige de nós quanto a essa finalidade, há imensa gama de opiniões. Muitos supõem que honrar a Cristo meramente significa unir-se a alguma "igreja", tomando parte de suas várias atividades e dando-lhes apoio. Outros imaginam que honrar a Cristo significa falar a Seu respeito a outros, ocupando-se diligentemente no "trabalho pessoal de evangelização". Outros parecem sentir que honrar a Cristo significa pouco mais do que fazer contribuições financeiras liberais em benefício de Sua causa.
Poucos, realmente, são os que percebem que Cristo só é honrado quando vivemos santamente para Ele, e isso se andarmos em sujeição à Sua vontade revelada. Poucos são os que verdadeiramente acreditam naquela palavra que diz: "Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros" (I Samuel 15 :22).
Não seremos crentes, sob hipótese alguma, a menos que nos tenhamos rendido totalmente a Cristo e que tenhamos recebido a Cristo, "... o Senhor... " (Col. 2:6). Queremos instar com o prezado leitor para que pondere diligentemente sobre essa declaração acima. Satanás anda enganando a muitos, hoje em dia, levando-os a suporem que estão confiando na "obra consumada" de Cristo, para salvação de suas almas, ao mesmo tempo que seus corações permanecem inalterados e que o "ego" continua a governar as suas vidas. Ouçamos o que diz a Palavra de Deus: "A salvação está longe dos ímpios, pois não procuram os teus decretos" (Salmos 119:155).
O prezado leitor realmente busca os decretos de Deus? Você pesquisa com diligência a Sua Palavra, para descobrir o que Ele ordenou? "Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade" (I João 2:4). O que poderia ser mais claro do que isso?
"Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? " (Lucas 6:46). A obediência ao Senhor na vida diária, e não apenas na forma de palavras ribombantes nos lábios, é o que Cristo exige. Que mensagem perscrutadora e solene é aquela que se acha em Tiago 1:22: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos!" Existem muitos "ouvintes" da Palavra, ouvintes regulares, ouvintes reverentes, ouvintes interessados; mas, infelizmente, aquilo que ouvem não incorporam em suas vidas – a Palavra não guia o seu caminho. E Deus é quem diz que aqueles que não são praticantes da Palavra meramente enganam a si mesmos! 

Desafortunadamente, quantos existem assim na Cristandade, nesta nossa época! Não são hipócritas desavergonhados, mas apenas estão iludidos. Supõem os tais que em face de serem tão claros seus conceitos sobre a salvação só pela graça, que eles estão salvos. Supõem, igualmente, que por estarem sob o ministério de um homem que "fez da Bíblia um livro novo" para eles, que já cresceram na graça. Supõem que por terem aumentado o cabedal de seus conhecimentos bíblicos, aumentou também a sua espiritualidade. Supõem que o mero ouvir a um servo de Deus, ou que a mera leitura de seus escritos os alimenta com a Palavra. Nada disso! "Alimentamo-nos" com a Palavra de Deus somente quando nos apropriamos dela pessoalmente, quando mastigamos e assimilamos em nossas vidas aquilo que ouvimos ou lemos: Sempre que a vida não se amolda mais perfeitamente à Palavra de Deus, desde o coração, o conhecimento acrescido somente servirá para agravar a condenação da alma. "Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites" (Lucas 12 :47).
". . .que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade" (II Timóteo 3:7). Essa é uma das mais proeminentes características dos "tempos perigosos" que atualmente atravessamos. As pessoas ouvem um pregador após outro, vão a esta e aquela conferência, lêem livros e mais livros sobre temas bíblicos, e, no entanto, jamais chegam a ter um conhecimento vital e prático da verdade, de tal modo que o seu poder e eficácia fiquem impressos sobre suas almas. Existe aquilo que poderíamos chamar de hidropisia espiritual, e multidões estão sofrendo desse mal. Quanto mais ouvem, tanto mais desejam ouvir: bebem sermões e discursos com avidez, mas suas vidas em nada se modificam para melhor. Antes, sentem-se orgulhosos de seu conhecimento, e não se humilham no pó diante de Deus. Mas a fé dos eleitos de Deus consiste no "... pleno conhecimento da verdade segundo a piedade.... " (Tito 1:1), ainda que isso seja ignorado pela vasta maioria.
Deus nos deu a Sua Palavra não apenas com o intuito de instruir-nos, mas também com o propósito de orientar-nos – para que soubéssemos o que Ele requer que façamos. A primeira coisa de que precisamos, pois, é do claro e distinto conhecimento de nosso dever; e a primeira coisa que Deus requer de nós é a prática conscienciosa do dever, que corresponda ao nosso conhecimento. "E que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus? " (Miquéias 6:8). "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem" (Eclesiastes 12:13). O Senhor Jesus salientou a mesma particularidade, quando disse: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando" (João 15:14). 
Assim sendo:

1. O indivíduo se beneficia da Palavra ao descobrir quais são as exigências que Deus lhe impõe.
Esses são os Seus mandamentos inalteráveis, pois Deus não sofre sombra de variação. É grave e grande erro supormos que, nesta presente Dispensação Deus rebaixou as Suas exigências, porquanto isso necessariamente implicaria em que Suas exigências anteriores eram severas demais e injustas.
Mas, não é assim! "Por conseguinte, a Lei é santa; e o mandamento, santo e justo e bom" (Romanos 7 :12). A súmula das exigências de Deus é a seguinte : "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força" (Deuteronômio 6:5 ). E o Senhor Jesus reiterou esse conceito no trecho de Mateus 22:37. O apóstolo Paulo, por sua vez, reforçou o ponto, quando escreveu: "Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema!" (I Coríntios 16:22).


2. O homem tira proveito da Palavra quando descobre quão total e pecaminosamente tem deixado de satisfazer às exigências de Deus.
E apressamo-nos por salientar, para benefício de qualquer pessoa que ponha em dúvida a veracidade daquele último parágrafo, que ninguém pode perceber quão profundamente pecador ele é, quão infinitamente aquém da medida dos padrões de Deus vive ele, enquanto não houver recebido a clara visão das exaltadas exigências que Deus lhe impõe! Na proporção exata em que os pregadores rebaixam os padrões divinos, sobre aquilo que o Senhor requer de todos os seres humanos, nessa mesma proporção os seus ouvintes obterão a idéia inadequada e distorcida de sua própria pecaminosidade, e menos perceberão eles a necessidade que têm do Salvador Todo-poderoso.
Porém, uma vez que uma alma realmente perceba quais são as exigências que Deus lhe faz, e também chegue a perceber que tem deixado completa e constantemente de fazer o que lhe compete, então é que ela reconhece quão desesperadora é a situação em que se encontra. A lei precisa ser ressaltada, antes que alguém esteja pronto para ouvir com proveito o evangelho.

3. Um homem se beneficia da Palavra quando ali aprende que Deus, em Sua infinita graça, providenciou plenamente para que Seu povo cumpra as Suas exigências.
Quanto a esse particular, igualmente, grande parte da pregação de nossos dias envolve defeitos sérios. Atualmente se anuncia aquilo que poderia ser chamado de "meio-evangelho", mas que, na realidade, virtualmente nega o verdadeiro evangelho. Cristo é incluído, mas tão-somente como um contrapeso. Que Cristo satisfez vicariamente a cada exigência que Deus impõe àqueles que crêem é uma bendita verdade; mas isso é apenas metade da verdade. O Senhor Jesus não apenas satisfez, em favor de Seu povo, os requisitos da justiça divina, mas igualmente assegurou que Seus discípulos os satisfariam pessoalmente. Cristo garantiu-nos o Espírito Santo, o qual opera em nós aquilo que o Redentor fez por nós.
O grandioso e glorioso milagre da salvação consiste do fato de que os salvos são regenerados. Há um trabalho de transformação operado neles. Seu entendimento é iluminado, seus corações são modificados e sua vontade é renovada. São feitos "novas criaturas", conforme se aprende em II Coríntios 5:17. Deus tece comentários sobre esse milagre da graça sob os seguintes termos: "Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei; e Eu serei o Seu Deus e eles serão o Meu povo" (Hebreus 8:10). A partir daí o coração se inclina para a lei de Deus: certa disposição foi transmitida ao coração que corresponde às exigências da lei; há um desejo sincero de executá-la. Por essa razão também é que a alma vivificada pode dizer: "Ao meu coração me ocorre: Buscai a Minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a Tua presença" (Salmo 27:8).
Cristo não apenas prestou obediência perfeita à lei, visando à justificação de Seu povo, que nEle confia, mas também mereceu para eles aqueles suprimentos de Seu Santo Espírito que são essenciais para a santificação deles, e que é a única coisa que pode transformar criaturas carnais, capacitando-as a prestar obediência aceitável a Deus. Embora Cristo tenha morrido a seu tempo pelos "ímpios" (Romanos 5:6), e embora Ele os ache ímpios (Romanos 4:5), contudo, quando os justifica, não os abandona nesse estado abominável. Pelo contrário, ensina-lhes com eficácia, pelo Seu Espírito, a negarem a impiedade e as paixões mundanas (ver Tito 2:12). Assim como não se pode separar uma pedra de seu próprio peso, e nem o fogo ser separado de seu calor, assim também não se pode separar a justificação da santificação.

Quando Deus realmente perdoa a um pecador, no tribunal de sua consciência, e sob o senso daquela graça admirável, o coração é purificado, a vida é retificada e o indivíduo inteiro é santificado. "...Cristo Jesus ... a Si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente Seu, (não descuidado e indiferente, mas) zeloso de boas obras" (Tito 2:14). Tal como uma substância é inseparável de suas propriedades, ou como as causas e seus efeitos necessários não se podem separar, assim também a fé salvadora e a obediência consciente a Deus são inseparáveis. Por isso mesmo é que lemos acerca da "...obediência por fé...", em Romanos 16:26.
O Senhor Jesus disse de certa feita: "Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama..." (João 14:21). Nem no Antigo Testamento, nem nos Evangelhos e nem nas Epístolas Deus reconhece que alguém O ama, exceto aqueles que observa as Suas ordens. Pois o amor inclui algo mais que meros sentimentos e emoções; antes, é um princípio em ação, que se expressa em algo mais do que melosas expressões de afeto, já que se manifesta por meio de atos que agradam ao objeto amado. "Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos..." (I João 5:3).
Oh, meu prezado amigo, você estará se enganando a si mesmo se pensa que ama a Deus, mas, no entanto, não tem o profundo desejo de obedecer ao Senhor e nem faz qualquer esforço real de andar obedientemente perante Ele!
Porém, do que consiste a obediência a Deus? Consiste em muito mais do que na realização mecânica de certos deveres. Talvez eu tenha sido criado por pais crentes, e sob a educação dada por eles tenha adquirido certos hábitos morais; no entanto, minha abstenção de não tomar o nome do Senhor em vão e de não furtar, pode não ser devido à minha obediência consciente ao terceiro e ao oitavo mandamentos. Pois, uma vez mais dizemos que a obediência a Deus consiste de muito mais do que nos amoldarmos à conduta normal de Seu povo.
Talvez eu esteja em um lar onde o descanso semanal é estritamente observado; e então, por motivo de respeito aos demais, ou então porque eu penso que é bom e sábio descansar nesse dia, talvez eu me refreie de todo o labor desnecessário naquele dia; mas nem por isso estarei observando o quarto mandamento, de modo algum! Pois a obediência não consiste apenas da sujeição a algum preceito externo, mas consiste em render eu a minha vontade à autoridade de outrem.
Por conseguinte, a obediência a Deus depende do reconhecimento, vindo do coração, de que Deus é o Senhor, de que Ele tem o direito de determinar, e de que o meu dever é anuir. Obedecer é sujeitar totalmente a alma ao jugo bendito de Cristo. Aquela forma de obediência que Deus requer só pode proceder de um coração que O ama. "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens..." (Colossenses 3 :23).
A obediência que se origina do temor do castigo é uma obediência servil. Aquela obediência prestada a fim de obter favores da parte de Deus é egoísta e carnal. Mas a obediência espiritual e aceitável é prestada com alegria: trata-se da livre reação favorável do coração agradecido pela consideração e pelo amor desmerecidos de Deus por nós.

4. Tiramos proveito da Palavra quando percebemos que não somente temos o dever obrigatório de obedecer a Deus, mas também quando em nós se cria o amor pelos Seus mandamentos.

O homem "bem-aventurado" é aquele cujo prazer "...está na lei do SENHOR..." (Salmo 1:2). E noutra passagem lemos: "Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, e se compraz nos seus mandamentos" (Salmo 112:1). Nossos corações são verdadeiramente provados quando enfrentamos com honestidade a seguinte pergunta: Dou realmente valor aos "mandamentos" de Deus, tanto quanto dou valor às Suas promessas? E não deve ser essa a minha atitude? Não há o que duvidar de que assim deva ser, pois tanto uma coisa como a outra verdadeiramente procedem do Seu amor. A anuência do coração, ante a voz de Cristo é o fundamento de toda a santidade prática.
Neste ponto desejamos também rogar intensa e amorosamente ao prezado leitor que dê toda a atenção a este detalhe. Todo o indivíduo que se considera salvo, mas que não tem amor genuíno pelos mandamentos de Deus, na realidade está se iludindo a si mesmo. Declarou o salmista: "Quanto amo a tua Lei!" (Sal. 119:97). E novamente: "Amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado" (Sal. 119:127).
E se porventura alguém objetar que assim acontecia durante o tempo do Antigo Testamento, então lhe perguntamos: ''Supõe o amigo que o Espírito de Jesus produz uma transformação inferior, nos corações daqueles que Ele agora regenera, à que fazia nos corações dos antigos crentes?" Na verdade, um santo do Novo Testamento registrou: "...no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus" (Romanos 7:22). Ora, meu prezado leitor, a menos que o seu coração se deleite na "lei de Deus", algo de radicalmente errado estará ocorrendo consigo; sim, é realmente de temer-se que você esteja espiritualmente morto.

5. Um homem tira proveito da Palavra quando o seu coração e a sua vontade cedem diante de todos os mandamentos de Deus.

A obediência parcial nem pode ser reputada como obediência. A mente santa declina do tudo aquilo que é proibido por Deus, e prefere praticar o que Ele requer, sem fazer qualquer exceção. Se as nossas mentes não se submetem a Deus, em todos os Seus mandamentos, então é que não nos submetemos à Sua autoridade em qualquer coisa que Ele nos determina. Se não aprovamos a totalidade de nossos deveres cristãos, de todo o coração, então estaremos grandemente equivocados se imaginarmos que temos qualquer prazer com qualquer porção dos mesmos. O indivíduo que não possui em si mesmo qualquer princípio de santidade, ainda assim pode sentir repulsa por muitos vícios e ser praticante de muitas virtudes, pois percebe que os primeiros não são atos apropriados e que estas últimas, por si mesmas, são ações convenientes; todavia, a sua desaprovação aos vícios e a sua aprovação às virtudes não se originarão de qualquer disposição de submeter-se à vontade de Deus.
A verdadeira obediência espiritual é imparcial. O coração renovado não seleciona e nem escolhe entre os mandamentos de Deus: o indivíduo que age dessa maneira não procura cumprir a vontade de Deus, mas a sua própria. Não nos equivoquemos quanto a esse particular – se não desejamos sinceramente agradar a Deus em todas as coisas, então na realidade não desejamos agradá-Lo em qualquer coisa.
Precisamos renegar ao próprio "eu"; não renegar meramente algumas das coisas que antes desejáramos, mas ao próprio "eu"! Se permitirmos voluntariamente a presença de qualquer pecado conhecido, isso quebrará a lei inteira, conforme nos define a passagem de Tiago 2:10,11. "Então não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos" (Salmo 119:6). Declarou o Senhor Jesus: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando" (João 15:14). Ora, se porventura eu não for amigo de Cristo, então terei de ser Seu inimigo, porquanto não há uma terceira alternativa  (ver Lucas 19:27).

6. Tiramos proveito da Palavra quando nossa alma é impelida a orar intensamente pedindo a graça capacitadora.

Quando da regeneração, o Espírito Santo nos transmite uma tendência que se inclina para a obediência de acordo com a Palavra de Deus. O coração ó conquistado por Deus. Há um novo e profundo desejo de agradar ao Senhor. Mas a nova inclinação não possui qualquer poder inerente a si mesma, e a velha natureza, também chamada de "carne", se esforça contra ela, sem falarmos nas oposições do diabo. Por isso é que o crente pode exclamar: "...o querer o bem está em mim; não, porém o efetuá-lo" (Romanos 7:18).
Isso não significa que o crente seja escravo do pecado, conforme era antes de sua conversão, mas significa que agora ele não sabe como cumprir plenamente as suas aspirações espirituais. Por essa razão é que ora: "Guia-me pela vereda dos Teus mandamentos, pois nela me comprazo" (Salmos 119:35). E novamente: "Firma os meus passos na tua Palavra; e não me domine iniqüidade alguma" (Salmo 119:133).

Nesta altura, poderíamos replicar a uma objeção que as declarações feitas acima mui provavelmente levantaram em muitas mentes: O pregador está afirmando que Deus requer perfeita obediência de nossa parte, nesta vida? E a nossa resposta é: Sim! Deus nunca Se satisfará com qualquer padrão inferior a esse (I Pedro 1:15). Nesse caso, o verdadeiro crente está à altura desse elevadíssimo padrão? Sim e não! Sim, em meu coração; e é para o coração que Deus olha (I Samuel 16:7). No seu coração, cada pessoa regenerada tem verdadeiro amor pelos mandamentos de Deus, e deseja genuinamente observar a todos eles, completamente. É nesse sentido, mas somente nesse, que o crente é experimentalmente "perfeito''. A palavra "perfeito", tanto no Antigo Testamento (Jó 1:1 e Salmos 37:37) como no Novo Testamento (Filipenses 3:15), quer dizer "reto", "sincero", em contraste com "hipócrita".
"Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes; tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás" (Salmos 10:17). Os "desejos" dos santos são a linguagem de sua alma; e a promessa divina, feita a eles, é a seguinte: "Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes ao clamor e os salva" (Salmos 145:19). O desejo do crente é obedecer a Deus em todas as coisas, conformar-se inteiramente à imagem de Cristo. Mas isso só se concretizará quando por ocasião da ressurreição. Entrementes, por amor a Cristo, Deus aceita graciosamente a vontade dos crentes, em lugar de seus feitos não realizados (I Pedro 2:5). Deus conhece os nossos corações e vê nos Seus filhos um amor genuíno e o desejo sincero de observar todos os Seus mandamentos; e aceita os anelos fervorosos e o esforço cordial, em lugar de uma realização exata (II Coríntios 8:12). 
Porém, que todo aquele que vive em desobediência voluntária não extraia desse fato uma paz falsa e perversa, porquanto isso contribuiria somente para a sua própria destruição, ao passo que serve para o consolo daqueles que, de todo o coração, desejam cumprir a vontade de Deus, agradando-O em todos os detalhes de suas vidas.
E se alguém indagar: "Como é que saberei que os meus desejos realmente são os desejos de uma alma regenerada?", nossa resposta será: A graça da salvação transmite ao coração uma disposição habitual na direção de atos santos. Os "desejos" do leitor devem ser testados como segue: São eles constantes e contínuos, ou obedecem a impulsos e interrupções? São eles intensos e sérios, de tal modo, que têm fome e sede de justiça (Mateus 5:6) e "suspira" pelo Deus vivo (Salmo 42:1)? Esses desejos são operantes e eficazes? Muitos desejam escapar do inferno; mas seus desejos não são suficientemente fortes para que abominem aos seus pecados, abandonando-os, os quais, inevitavelmente, os conduzirão ao inferno, a saber, os pecados voluntários contra Deus.
Muitos desejam escapar do inferno; mas seus desejos não são suficientemente fortes para que abominem aos seus pecados, abandonando-os, os quais, inevitavelmente, os conduzirão ao inferno, a saber, os pecados voluntários contra Deus. Muitos outros desejam ir para os céus, mas não intensamente que entrem naquele "caminho estreito" e por ele sigam, sendo esse o único caminho que conduz aos lugares celestiais. Os autênticos "desejos" espirituais usam os meios da graça e não poupam esforços por obter a concretização deles, mas pressionam continuamente, sob oração, na direção do alvo proposto.

7. Tiramos proveito da Palavra quando, desde agora, já desfrutamos da recompensa da obediência.

"A piedade para tudo é proveitosa..." (I Timóteo 4:8). É por intermédio da obediência à Palavra que purificamos as nossas próprias almas (I Pedro 1:21). É por meio da obediência que obtemos a atenção dos ouvidos de Deus (I João 3:22). Por outro lado, a desobediência é uma barreira para as nossas orações (Isaías 59:2 e Jeremias 5:25). Através da obediência obtemos preciosas e íntimas manifestações de Cristo para a nossa alma (João 14:21). Se estivermos palmilhando a senda da sabedoria (em completa sujeição a Deus), então descobriremos que "Os seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as suas veredas paz" (Provérbios 3:17). "...os Seus mandamentos não são penosos" (I João 5 :3). ''Muita paz tem os que guardam a  Tua lei'' (Salmo 119:165) e "...em os guardar há grande recompensa" (Salmos 19:11).